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Eu não preciso que as manhãs acordem com o cantar caótico de pássaros urbanos, que insistem em permanecer insones pelas madrugadas afora, interligando-se às fronteiras entre o sonho e a realidade.
Eu não quero escutar mais uma vez meu silêncio pedir socorro e, desesperado, clamar pela vida, como se ela fosse um presente distante, intocável, e fosse sempre manter uma distancia entre a euforia das minhas palavras e o abismo da minha alma.
Eu não pretendo que as auroras vespertinas precisem me convidar à passear por entre os jardins suspensos da felicidade, escondidos num sorriso que se perdeu nas entranhas obscuras do meu inconsciente.
É bem verdade que em manhãs como esta, eu não gostaria de estar do lado de fora dos meus sentidos esperando que eles se aproximem e em convidem a viver tudo outra vez, mas agora que a manhã já vai se despedindo, vejo que meus sentidos apenas adormecem à espera do futuro que está pra chegar.
Eu não preciso mais daquela coisa toda, que só me faz pensar que nada faz sentido, senão sentar numa sala vazia e escutar os conselhos do invisível; e num segundo onde a saudade me transporta para o acaso, me encontro novamente nos mesmos abismos em que gosto de me jogar de vez em quando.
Agora, eu só preciso sentir o peso de um amor nas minhas costas, e carrega-lo com toda a garra de uma mãe prestes a dar a luz. Eu quero é ver o mar cintilar no meu sorriso, eu quero é contar estrelas, junta-las, uma a uma, coloca-las numa caixa e embrulhá-las para presente.
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