domingo, 12 de abril de 2009

Eclipse


Não reconheço teu retrato,
Tua pose, teu estar.
Não reconheço teu recado,
Tua fome, teu pensar.
Não reconheço teu sonho
Nem me ponho em tal lugar,
No labirinto distante
Onde escondes teu penar.
Não admiro teu gesto,
Tua palavra, teu tempo.
Não admiro tua forma,
Tua roda, teu momento.
Não admiro tua rota
Nem o teu contentamento,
Do horizonte perdido
Que não tem mais cabimento.
Mas contemplo teu desejo,
Teu luzir, teu vestígio.
Contemplo teu coração,
Teu sorriso, teu vestido.
Contemplo aquela outra imagem
Sem mistério nem silêncio,
Aquela que é você
Que procuro nesse abismo.

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