
Não sei se deveria falar de saudade, mas de uma impiedosa falta que, agora, habita as entranhas do meu corpo e da minha mente, como se estivessem à espera de alguém que pode não está por vir, ou como se cada minuto que passa fosse sempre mais um e o tempo só aumentasse e aumentasse.
Quando uma noite de sábado se aproxima, me pergunto se toda a euforia da minha juventude foi lançada ao mar. Não sinto vontade alguma de nenhuma daquelas coisas que todos desejam, muito menos daquelas que eu desejaria, se fosse há um tempo atrás, no tempo em que eu conseguia passar despercebida pela síndrome da paixão equivocada.
E, de repente, sinto minha vida desbotando o seu colorido mais uma vez, sem que eu queira admitir a razão que eu bem conheço. E como conheço todas aquelas noites insones, aquelas lágrimas que me fazem engasgar e soluçar nas madrugadas em que me ponho a pensar que tudo vai acontecer de novo, daquele mesmo jeito que eu bem sei.
De vez em quando, escuto, repetidamente, a mesma voz, que não preciso decifrar, a me fazer insensatas propostas, me deixando impotente diante de toda a minha verdade, me instigando a dizer e a fazer e a sentir coisas que, há tanto tempo, estavam adormecidas dentro de mim.
Terno e distante, o meu olhar se entrega e incansavelmente procura àquele sorriso que me parece inerte quando imagino que é meu. Não de pertencer a mim, mas de ter sido me dado de presente, como se fosse a bicicleta do natal ou o beijo do dia dos namorados. Como se eu pudesse guardá-lo numa redoma e tivesse o poder de fazer com que ele nunca acabasse.
O passarinho levanta voo da antena parabólica, a tarde finda, a lua começa a encher meu peito de vazio e de uma vontade imensa de provar daqueles lábios e de pertencer a eles, pelo menos por um instante, que eu possa sentir minha alma mais leve, como se existissem borboletas dentro de mim, e que sempre houvessem estado aqui.
Quando uma noite de sábado se aproxima, me pergunto se toda a euforia da minha juventude foi lançada ao mar. Não sinto vontade alguma de nenhuma daquelas coisas que todos desejam, muito menos daquelas que eu desejaria, se fosse há um tempo atrás, no tempo em que eu conseguia passar despercebida pela síndrome da paixão equivocada.
E, de repente, sinto minha vida desbotando o seu colorido mais uma vez, sem que eu queira admitir a razão que eu bem conheço. E como conheço todas aquelas noites insones, aquelas lágrimas que me fazem engasgar e soluçar nas madrugadas em que me ponho a pensar que tudo vai acontecer de novo, daquele mesmo jeito que eu bem sei.
De vez em quando, escuto, repetidamente, a mesma voz, que não preciso decifrar, a me fazer insensatas propostas, me deixando impotente diante de toda a minha verdade, me instigando a dizer e a fazer e a sentir coisas que, há tanto tempo, estavam adormecidas dentro de mim.
Terno e distante, o meu olhar se entrega e incansavelmente procura àquele sorriso que me parece inerte quando imagino que é meu. Não de pertencer a mim, mas de ter sido me dado de presente, como se fosse a bicicleta do natal ou o beijo do dia dos namorados. Como se eu pudesse guardá-lo numa redoma e tivesse o poder de fazer com que ele nunca acabasse.
O passarinho levanta voo da antena parabólica, a tarde finda, a lua começa a encher meu peito de vazio e de uma vontade imensa de provar daqueles lábios e de pertencer a eles, pelo menos por um instante, que eu possa sentir minha alma mais leve, como se existissem borboletas dentro de mim, e que sempre houvessem estado aqui.
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