Queria que o mundo andasse com as pernas pro ar, pra ver se a ordem subvertia e, finalmente, encontrava a linha reta. Como eu queria que os saberes fossem tortos, talvez assim fossemos felizes vivendo a hipocrisia às avessas, talvez pudéssemos conhecer de verdade o porquê de tudo que esse mundo moderno nos ensina e que de nada nos serve.
Que a família fosse um prazer e não uma obrigação, que nada tivesse de ser escondido... Que ninguém tivesse de ser enganado. Que nós pudéssemos ouvir histórias de amor verdadeiro.
Ah, como eu queria experimentar cada gota da vida e dizer pra todo mundo o quanto sou feliz... experimentar seu sabor mais puro e poder compartilhar, sem medo, sem esbarrar nos muros que a autoridade nos impõe em forma de silêncio. Eu só queria que a conversa daquela mesa de bar fosse transportada pra dentro de casa, que a liberdade fosse real, que o meu quarto acolhesse meu amor, resguardando-nos dos perigos da rua.
Era só isso que eu queria... que ser a filha da instituição liberdade me deixasse trazer para perto de mim toda a leveza da mais pura liberdade, como é admirável bem de perto, por ela mesma, nos tantos outros lugares afora.
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