quarta-feira, 28 de abril de 2010

A intelectualidade equivocada


Mal começam as mostras do circuito da moda e começam também as análises filosóficas extremamente empobrecidas de críticos "intelectuais" que insistem em considerar  a moda um brinquedo fútil das garotas da classe média mundo afora. É realmente uma pena que, em pleno período de reflexões a respeito do homem, da sua evolução, da sua afirmação no mundo moderno, das revoluções decorrentes das transformações sociais ocorridas do decorrer dos tempos, a moda e seus efeitos sejam excluídos das análises acerca da contemporaneidade. 

A moda deve ser entendida como algo maior que um conceito tendencial, pois esta se configura enquanto uma das mais presentes formas de manifestação social (vejamos, por exemplo, o uso de calças pela mulher na atualidade ou o delineamento de suas formas a partir da década de 50, quando era uma afronta visto da cultura machista que imperava na sociedade da época).

Na perspectiva do Brasil, desde o Império, passando pelo inicio da República, pelo período ditatorial (tendo como maior expoente Zuzu Angel), a redemocratização dos útimos 20 anos e, enfim, a contemporaneidade (com o homem metrossexual), a moda constitui, em todos os eventos sinalizadores e determinantes desses fatos sociais, as características comportamentais de cada grupo social que integra esses processos. 

O simples fato de vestir as tendências que estão nas passarelas de cada estação (que são fruto de muita pesquisa bibliográfica e de campo), portanto, não define por si só a complexidade que abrange a palavra moda, que muito além disso, é peça fundamental para o entendimento das evoluções sociais passadas e para a constituição delas nas futuras gerações.

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